Taí uma coisa da qual não tem escapatória. A gente nasce e nas primeiras horas já apelidam a gente. Hoje em dia, a mãe descobre o sexo, escolhe o nome e pronto, quilos de diminutivos, apelidos e afins.
Minha mãe sempre conta essa estória. Ela entrou em trabalho de parto no dia de finados e segurou o mais que pôde para ir pra maternidade porque quando ela e minhas tias eram pequenas tinha uma menina que tinha nascido no dia 02/11 e todo mundo chamava de “Finadinha”. O quê, minha primeira filha chamarem de “Finadinha”?, ela relembra. Bom, acabou que nasci nas primeiras horas do dia 03 e me livrei do mal fadado apelido, mas isso não significa que tenha tido muitos outros.
Francisco, por sua vez, quando nasceu chorava horrores. Ane, sua irmã, na época tinha apenas 1 ano e 3 meses. No prédio deles tinha um menininho que também chorava muito e chamavam de Tuca. Ela logo fez a correlação. Francisco chorava e ela falava “Cuca, Cuca”. Eu sei que o apelido pegou. Deve ter muita gente por aí que não sabe que o nome de Cuca é Francisco. Enfim.
Com Manuela os apelidos iam e vinham naturalmente. Manu, Manuquinha, Carocinho, Manuquete, e por aí vai. Mas quando fiquei grávida de Francisco (o filho), minha sogra tinha uma preocupação a mais com relação a um apelido pra ele. Os meses foram passando e eu nunca soube o porquê. Até que semana passada ela me falou. Aliás, um pequeno aparte. Sabe aquelas pessoas cujas vidas dão um livro? É a minha sogra.
Pois bem. Contava ela que na época de sua juventude eles tinham uma turma legal, que se reunia na Rua Chile. Ela namorava Orlando, grande amor de sua vida. E uma de suas amigas, Luizinha (olha o apelido aí!) namorava Francisco. Romântico como ele só, Francisco, todo certo do sucesso, no primeiro ano de namoro com Luizinha resolveu fazer-lhe uma surpresa. Chegou todo garboso, a turma reunida, com um presente para a amada: um pequeno bolo com uma única vela em cima. Tamanha demonstração de afeto foi mal vista pelos rapazes da turma, especialmente, por Orlando, que não perdeu tempo e apelidou o amigo: Chiquinho Velinha Só. Em todas as festas, todas as vezes que a turma se reunia, lá estava Chiquinho Velinha Só. Muito tempo depois, Francisco e Luizinha já haviam seguido cada qual pro seu lado, mas o apelido seguia firme. Hoje não sei ao certo por onde anda Chiquinho Velinha Só, mas toda vez que chamávamos Francisco de Chiquinho, é dele que minha sogra lembrava.
Ontem, aqui em casa, falávamos sobre apelidos também. Mamãe dizendo que não gosta e que prefere chamar as pessoas pelos seus nomes. Bom, eu prefiro ‘apelidos’.. prefiro o ‘Quel’ ao ‘Raquel’.. é mais informal, mais próximo.
Não sabia da origem do ‘Cuca’! Hahahahaha.. E o Fransiscleidson? Hahahahaha.. Eu nem posso falar, pois chamo os dois de ‘gordos’.
Um beijão, prima. Que papo gostoso! ;D
Esqueceu de falar do ‘Bilu’..
No bonito texto faltou o rol de apelidos que Francisco, o filho, tem. Nem vou recitá-los aqui. O Forrozeiro, com poucos meses de vida, tem tanto apelido que neste espaço não cabe. Além disso, corre-se o o risco de se esquecer de alguns deles.
berros
Ontem, eu e Carol também falávamos sobre apelidos, lembrando de mamãe que era expert em colocá-los. Nossos vizinhos eram os principais “premiados”, então tinha: as fadas, as vermelhinhas, os pintos- calçudos, “seu” bombaqueiro, “seu” bicudinho, e por aí ia. Mais da minha infância não posso deixar de lembrar do “porco-rolha”, que era um estofador bem baixinho e roliço e de um gato que tínhamos, o “zé fraqueza”, que de tão fraco não conseguia mastigar os nacos de carne que minha mãe dava para ele. Meus filhos eram chamados de Bilu, Cacá e Lulu e eu ainda sou chamada de Ginja, que era como Rosane falava meu nome.